MP proíbe pesca na prainha do Rio Mogi Guaçu a partir de hoje, 20 de março

Medida afeta área de lazer e turismo no Distrito de Cachoeira de Emas. Multa para quem não cumprir determinação é de no mínimo R$ 700.

Publicado em 20/03/2017 08:18:21 | Por: G1 São Carlos e Araraquara

 MP proíbe pesca na prainha do Rio Mogi Guaçu a partir de hoje, 20 de março
Determinação passa a valer a partir desta segunda-feira (20) em Pirassununga (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)

 

A determinação do Ministério Público do Meio Ambiente de proibir a pesca na prainha de Cachoeira de Emas está causando polêmica em Pirassununga (SP). A partir desta segunda-feira (20), quem for pego pescando no local está sujeito a multa de, no mínimo, R$ 700.

Uma promotora da cidade se baseou em uma portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), de 2009, que proíbe a pesca amadora e profissional no trecho de 1,5 mil metros para cima ou para baixo de barragens e corredeiras. A medida atinge justamente a área da prainha.

O local é um dos pontos de maior movimento do distrito e a pesca no Rio Mogi-Guaçu faz parte do passeio de turistas e moradores. Para alguns, a atividade é fonte de renda, além de lazer.

Proibição da pesca gerou polêmica em Pirassununga (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)
Proibição da pesca gerou polêmica em Pirassununga
(Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)

O aposentado Antônio Divino Vieira aprova a proibição. “Preserva mais o peixe, porque não tem mais peixe como tinha de primeiro. Antes você vinha essa hora e estava com a sacola cheia, hoje não pega nada”, disse.

Já o aposentado Davi Rodrigues, que pesca no local há mais de 40 anos, não gostou da mudança. “É o único lazer que tem aqui para a gente se divertir, passar um momento pescando e distraindo depois de aposentado. Não vai poder mais”.

O filho dele também não aprovou. “É ruim porque a quantidade de pessoas que vem aqui para poder pescar, distrair, perder um pouco do tempo, e aí esse povo vai fazer o que? Ir lá para depois da curva onde é um monte de mato? Não tem lugar para pescar”, afirmou o servente de pedreiro Rafael Rodrigues.

Especialista
O pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Fábio Sussel, é contra a determinação. Segundo ele, a pesca amadora não é a principal ameaça aos peixes e, por isso, deveria ser liberada.

“Existem outros quatro fatores mais importantes do que a pesca amadora de vara e anzol, que são: o lançamento de esgoto não tratado, a construção de barramentos para a geração de energia elétrica, a pesca comercial extrativista e a pesca predatória. Estas sim são impactantes para as espécies e para a quantidade de peixes no Rio Mogi”, afirmou.


Para o especialista, dificilmente a proibição será cumprida sem uma fiscalização adequada. “Infelizmente, a Polícia Ambiental tem um corpo reduzido, são poucos policiais para cuidar de uma grande área. Acaba que não se consegue fazer a fiscalização efetiva, especialmente no período da noite, que é quando os pescadores predadores costumam atuar”, declarou Sussel.

Retorno
A Polícia Ambiental informou que tem planejamento estratégico para coibir a pesca predatória nas áreas que fiscaliza. A reportagem tentou contato com a Promotoria do Meio Ambiente e com a assessoria do Ministério Público do Meio Ambiente para comentar o caso, mas ambas não foram encontradas.

 

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