Policial condenado a 22 anos pelo sequestro do enteado de Marcola, líder do PCC, foi preso em Ibaté

Crime provocou maior crise na segurança pública de SP em 2006, com ataques do PCC

Publicado em 10/04/2019 19:53:21 | Por: portal R7

Policial condenado a 22 anos pelo sequestro do enteado de Marcola, líder do PCC, foi preso em Ibaté
Augusto Pena era um dos criminosos mais procurados do Estado de São Paulo - DIVULGAÇÃO

 

Um grupo de policiais militares de Ibaté-SP  prenderam na tarde de terça-feira, 9 de abril, um ex-policial civil, o que estava sendo procurado pela justiça de Suzano-SP. A detenção ocorreu na casa do ex-policial na rua Visconde de Pelotas, bairro São Benedito.

De acordo com informações, por volta das 16h12, policiais militares estavam em patrulhamento preventivo quando avistaram  Augusto Pena, de 52 anos, que adentrou bruscamente para sua casa. os policiais então desconfiaram da atitude do homem e foram averiguar o que estaria ocorrendo. Quando os policiais pesquisaram seus antecedentes criminais, constaram que contra o mesmo havia um mandado de prisão expedido pela Primeira Vara Criminal de Suzano.  O de3tido foi encaminhado à Delegacia de Ibaté e recolhido ao Centro de Triagem de São Carlos.

O ex-policial civil Augusto Peña, condenado em 7 de abril de 2015, a 22 anos de prisão pelo sequestro de Rodrigo Olivetto de Morais, enteado de Marcola, apontado pela polícia e Ministério Público como líder máximo da facção PCC (Primeiro Comando da Capital), era um dos criminosos mais procurados do Estado de São Paulo. 

A 1ª Vara Criminal de Suzano, na Grande São Paulo, condenou Peña e o também ex-policial civil José Roberto de Araújo por sequestro, extorsão e fuga de preso. Ambos foram acusados pela promotoria de comandar o sequestro de Rodrigo Olivatto em abril de 2005.

O enteado de Marcola foi levado para a Delegacia Central de Suzano. Os ex-policiais o espancaram, o ameaçaram e exigiram R$ 1 milhão para não prendê-lo sob a falsa acusação de tráfico de drogas.

O PCC pagou R$ 300 mil e Rodrigo foi solto. Peña e Araújo também foram condenados por terem recebido, em abril de 2006, R$ 40 mil de propina para facilitar a fuga do traficante de drogas Gilmar da Hora Lisboa, o Pebinha.

O plano, no entanto, foi descoberto e o preso acabou removido às pressas para outra unidade. Como represália contra a não libertação de Pebinha, o PCC ordenou um ataque à Delegacia de Suzano. A Polícia Civil foi avisada sobre a ação, se antecipou e quatro integrantes do PCC foram mortos durante o atentado à sede policial.

Na manhã seguinte, como vingança, o PCC matou dois carcereiros e o amigo de um deles em uma feira livre em Suzano, não muito longe da Delegacia Central da cidade. Autoridades e especialistas em segurança pública afirmam que as extorsões contra os integrantes do PCC foram o estopim para os ataques em maio de 2006 contra as forças policiais em São Paulo, comandados pela facção criminosa.

Entre os dias 12 e 20 de maio, o PCC comandou rebeliões em 74 unidades prisionais e paralisou São Paulo, matando 43 agentes públicos. No mesmo período, 493 pessoas foram assassinadas no Estado, a grande maioria morta por policiais. Foi a maior crise da história na segurança pública do Estado.

Em 7 de abril de 2015, a Justiça condenou e decretou a prisão de Peña e de Araújo. No último dia 30, o Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus a favor de Araújo. Ele foi solto.

Segundo a Divisão de Capturas da Polícia Civil, Augusto Peña continua foragido e contra ele foi expedido um mandado de prisão por sentença condenatória.

Os outros réus, Carlos Alberto dos Santos e Valdomiro Pereira da Silva, denunciados respectivamente por extorsão mediante sequestro e corrupção passiva, foram absolvidos.

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