De olho na presidência da Câmara, Gustavo Braga fecha com Bancada da Bíblia e sepulta Conselho da Diversidade Sexual

Vereador faz discurso demagógico buscando apoio dos evangélicos; vereador Ismael foi repudiado por manifestantes pró-LGBT

Publicado em 27/11/2018 14:48:40

 De olho na presidência da Câmara, Gustavo Braga fecha com Bancada da Bíblia e sepulta Conselho da Diversidade Sexual
Público dá as costas para o vereador Ismael, que fez um discurso idiota e lamentável - MARCO ROGÉRIO

 

Marco Rogério

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Porto Ferreira já começou. Prova disso foi a postura do vereador Gustavo Braga (PTB) na noite de ontem, segunda-feira, 26 de novembro, durante a sessão da Casa de Leis. O petebista se somou à bancada da Bíblia, que inclui quatro vereadores evangélicos – Renato Rosa (PRP), Kiko Mecânico (MDB), Gideon dos Santos (PSD) e Ismael Silva (DEM) – para impedir a aprovação do projeto de lei do prefeito Rômulo Rippa, que criava o Conselho da Diversidade Sexual no município. O anteprojeto de lei foi apresentado pelo vereador Alan João (PSB).

Membros da comunidade LGBT e simpatizantes e apoiadores da causa lotaram o plenário da Câmara Municipal durante toda a sessão. Vários deles empunhavam cartazes com protestos contra a mistura de politica e religião, protestando contra  a homofobia e lembrando que o Estado é laico. Este conselho já existe em várias cidades, sendo que em São Carlos funciona há mais de 10 anos. 

Gustavo está articulando para ter os votos da Bancada da Bíblia. Somados estes quatros votos ao seu próprio voto, ele já teria 5 votos e precisaria convencer apenas mais um vereador para poder comandar o Poder Legislativo em 2019 e 2020. O parlamentar fez um discurso vazio e inócuo. Seu argumento é que quando “se fala em discriminação você já está discriminando”. Pior ainda foi o pronunciamento do vereador Ismael. Ele falou tanta bobagem que os manifestantes deram as costas para seu discurso. Mesmo sendo vereador e podendo apresentar emendas, Ismael reclamou da composição do Conselho, que, segundo o projeto de Alan João, previa 5 cadeiras para a comunidade LGBT.

O único discurso coerente contra o projeto veio do presidente da Câmara, vereador Miguel Bragioni (PP). Ele ressaltou que faltou ao projeto de lei robustez, com a ausência de dados sobre a violência contra a comunidade LGBT. Ele lembrou que ficou durante 5 anos lutando pela aprovação de um projeto e depois de muita luta teve sucesso. E sugeriu que Alan João faça o mesmo, melhorando o projeto, enriquecendo-o com informações para que os vereadores sejam convencidos de sua relevância.

Ao final da votação, o projeto foi rejeitado por 6 x 5. Votaram contra o projeto de lei os quatro vereadores da Bancada da Bíblia - Renato Rosa (PRP), Kiko Mecânico (MDB), Gideon dos Santos (PSD) e Ismael Silva (DEM) – mais Gustavo Braga (PTB) e Miguel Bragioni (PP), que deu o voto de minerva.

Votara a favor do projeto o seu autor, Alan João (PSB), Alessandro Dentinho (PSDB), Marcelo Ozelin (PSDB) e Professor Sérgio de Oliveira (DEM).

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