Candidato a deputado diz que vai denunciar conduta de PMs após ser levado para delegacia

Paraná Filho também afirmou ao G1 que vai entrar com processo contra o Estado. Ele foi conduzido para ser testemunha de confusão envolvendo seu irmão em São Carlos (SP).

Publicado em 09/10/2018 07:24:28 | Por: G1 São Carlos e Araraquara

Candidato a deputado diz que vai denunciar conduta de PMs após ser levado para delegacia
O vereador e candidato a deputado estadual Paraná Filho em São Carlos — Foto: Camile Fabre/G1

O vereador de São Carlos (SP) Paraná Filho (PSB), candidato a deputado estadual nestas eleições, afirmou ao G1 que vai denunciar na Corregedoria da Polícia Militar os policiais que o levaram para a delegacia, após uma confusão envolvendo seu irmão, na tarde deste domingo (7).

Ele estava filmando a discussão e foi levado para depor como testemunha. "Eu nunca entrei dentro de uma viatura. Macularam a minha campanha, mancharam a minha imagem", disse.

Procurada pelo G1, a Polícia Militar informou que não estava autorizada a comentar o caso. Paraná já havia sido levado para a delegacia na madrugada para averiguação de uma denúncia de distribuição de santinhos em frente a uma escola, junto com uma guarda municipal.

Confusão

O caso aconteceu por volta de 11h45, em frente à Emeb Prof. Afonso Fioca Vitali (CAIC), no Cidade Aracy.

Segundo a Polícia Militar informou ao advogado de Paraná, Luís Luppi, o irmão de Paraná Filho estava com uma latinha de cerveja e ao mesmo tempo portando um crachá de fiscal eleitoral, cargo que não ocupa.

 
Vereador licenciado de São Carlos (SP), Paraná Filho, candidato a deputado estadual, foi preso por fazer boca de urna. — Foto: Jeferson Vieira/Divulgação

Vereador de São Carlos (SP), Paraná Filho, candidato a deputado estadual, foi preso por fazer boca de urna. — Foto: Jeferson Vieira/Divulgação

Os policiais foram questionar o homem e houve discussão. Ele foi detido por desacato e desobediência. "A polícia estava fazendo a detenção do meu irmão porque ele estava com uma latinha de cerveja. A legislação proíbe a venda e não o consumo. Fui na condição de advogado e quando vi que 5 policiais estavam segurando ele e outro num debate muito acalorado, eu temendo uma agressão entre as partes, tomei o cuidado de pegar o celular e começar a gravar", disse.

"Os policias começaram a questionar e colocaram o meu irmão dentro da viatura. Pegaram no meu braço e falaram ‘você gosta de filmar então você vai subir com ele como testemunha’. Eu falei que não posso ser testemunha de algo que eu não vi, que não sei como começou", afirmou.

Paraná disse que tentou falar com o juiz eleitoral, mas os policiais não deixaram. "Quando tentei eles correram atrás e falaram que eu ia por bem ou por mal. Eu resisti e falei que não precisava e que iria com o meu próprio carro", afirmou.

 
Termo circunstanciado sobre santinhos foi registrado na Delegacia Seccional de São Carlos — Foto: Camile Fabre/G1

Termo circunstanciado sobre santinhos foi registrado na Delegacia Seccional de São Carlos — Foto: Camile Fabre/G1

Ele ainda falou sobre o que pretende fazer após a ação. "Ainda nessa semana vou acionar esses policiais administrativamente, vou representá-los na corregedoria e vou entrar com uma ação de danos morais contra o estado, que tem a obrigação de ter policiais preparados e que conheçam da lei. Na delegacia não aconteceu nada, meu irmão já está em casa. Perdi 14 horas dentro de um plantão em pleno dia de eleição", disse Paraná Filho.

Santinhos em carro

Durante a madrugada, o vereador também teve que ir ao plantão policial após ser surpreendido pela PM com o carro cheio de santinhos em frente à escola Jesuíno de Arruda, na Vila Prado, um ponto de votação. Ele negou que estivesse fazendo propaganda irregular e disse que estava levando o material para o comitê de campanha.

A guarda municipal que também estava no carro admitiu, segundo a polícia, que jogava o material na rua. A prefeitura informou que a guarda está em férias e que no momento não vai se pronunciar.

"Estávamos deslocando material de campanha para o comitê. O veículo foi abordado e falamos que estava tudo ok, mas não satisfeitos eles quiseram confrontar se o material derramado era o mesmo que eu transportava. O duro é que eu fiquei 9 horas dentro da delegacia. Fique cerceado a manhã inteira de andar, de votar, de conversar com lideranças e fiscais e isso me prejudicou gigantemente. Isso arrebentou com a minha candidatura. O material e o veículo foram devolvidos", disse ao G1.

Os dois foram levados para o plantão policial, onde prestaram esclarecimentos, assinaram um termo circunstanciado (registro de crimes de menor relevância, com menor potencial ofensivo) e foram liberados.

Segundo o juiz eleitoral de São Carlos Antonio Benedito Morello, a suspeita de crime eleitoral deverá ser apurada posteriormente.

A pena para propaganda eleitoral irregular e fazer propaganda no dia de eleição vai de seis meses a um ano, mas não afeta a legalidade da candidatura.

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