Autodefesa

Quando alguém escuta um barulho, na garagem, no meio da madrugada, tem a possibilidade de ligar para a polícia. Quanto tempo demora para a viatura chegar?

Publicado em 03/02/2019 14:11:56

Autodefesa

NEY VILELA 


A permissão do porte de armas de fogo é um pressuposto de regimes democráticos. O cidadão tem o direito de gerenciar de que maneira quer se defender e proteger sua propriedade.

Diante desse fato, estatísticas que mostram a superioridade de marginais em enfrentamento direto com os cidadãos; ou que demonstram o aumento da letalidade nas tentativas de suicídio; ou – ainda – a multiplicação de acidentes domésticos em presença de armas de fogo, servem, apenas, para esconder as questões que realmente interessam.

O que interessa, realmente, é saber se o proprietário rural terá como se defender das maltas de usurpadores do fruto do trabalho alheio. Muitos e muitos milhares de invasões se realizaram nas últimas duas décadas, sob o olhar pusilânime das autoridades constituídas. Tudo indica que a posse de armas reduzirá, em muito, a incidência desse tipo de ação criminosa.

O que importa, realmente, é verificar se o pequeno comerciante terá como reagir às milícias que lhe vendem “segurança” e aos meliantes que obrigam os lojistas a fechar as portas dos estabelecimentos, nos chamados “toques de recolher”. Se muitos proprietários estiverem armados, nas regiões onde estão os milicianos e os traficantes, será que essas gangues terão a mesma facilidade de ação?

Quando alguém escuta um barulho, na garagem, no meio da madrugada, tem a possibilidade de ligar para a polícia. Quanto tempo demora para a viatura chegar? Lembremos que, em algumas cidades, o furto de automóveis e peças automotivas responde por aproximadamente metade dos casos de invasões de residência.

Nesse caso, quando alguém acende a luz da garagem ao mesmo tempo que ataca o meliante com arma de fogo, terá chances reais de sucesso em conter o ato criminoso. É, ou não, direito de o cidadão agir dessa forma?

E o mais importante de tudo: se os cidadãos da Venezuela tivessem habitualmente a posse de armas, será que as milícias sanguinárias de Hugo Chaves e Nicolas Maduro teriam chegado onde chegaram? Pergunta que vale para as hienas nicaraguenses de Ortega, ou para os abutres cubanos. As armas que estão em posse dos cidadãos servem, em primeiro lugar, para protege-los do Estado autoritário. A autodefesa não pode ser entendida como uma prerrogativa individual, mas como a base da liberdade coletiva.

Não sinto a necessidade premente de comprar uma arma de fogo. Se a comprasse, preferiria uma arma de defesa (uma cartucheira, por exemplo) a uma arma tática (como um revólver). Mas exijo o direito de poder mudar de ideia. Mais que tudo: exijo que minha coletividade possa ter força para se rebelar e que as escolhas da maioria dos cidadãos do meu país não sejam espezinhadas por intelectuais autoritários que se jactam de dizer que sabem o que é bom para os outros.

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