As quentes domingueiras do Clubão

E dá-lhe Banda Doce Veneno (na estrada até hoje) e a inesquecível Beat Jeferson, banda comandada pelo Fefo (de Descalvado) e pelo grande e saudoso vocalista e baixista Tatu (de Pirassununga), além de várias outras atrações.

Publicado em 06/02/2019 18:39:55

As quentes domingueiras do Clubão

 

MARCO ROGÉRIO DUARTE

Numa destas noites de inverno estava eu em Porto Ferreira e, ao passar defronte ao Porto Ferreira Futebol Clube, na rua Dona Balbina, resolvi parar. Estacionei a motocicleta e passei a contemplar o famoso “clubão”, como chamávamos a agremiação nos Anos 80 do Século passado.  Lembrei que era domingo!

O silêncio sepulcral defronte àquela casa de shows e espetáculos, quebrado apenas pela passagem de poucos automóveis, em nada se parecia com as quentes noites de 1986, 1987, 1988, 1989...

Naquela época o maior sucesso eram as domingueiras, que funcionavam das 20h do domingo às 1h da segunda-feira. Numa época em que não havia internet e telefones celulares, os contatos humanos eram mais físicos, ou seja, cara-a-cara mesmo...

E dá-lhe Banda Doce Veneno (na estrada até hoje) e  a inesquecível Beat Jeferson, banda comandada pelo Fefo (de Descalvado) e pelo grande e saudoso vocalista e baixista Tatu (de Pirassununga), além de várias outras atrações.

“Shot through the heart/And you're to blame/Darling, you give love a bad name”. O primeiro trecho de “You Give a love bad name”, de Bon Jovi, era um hino. Quando as bandas tocavam esta música o clube quase vinha baixo. O barulho estridente de vozes e guitarras fazia o chão tremer. Numa época em que estas desgraças de sertanejo universitário não frequentavam nem mesmo os piores pesadelos, podíamos curtir boa música. E dá-lhe Van Hallen, U2, Simple Minds e outras grandes bandas.

Naquela época conseguir vaga no estacionamento cheio de paralelepípedos era praticamente um desafio. O número de pessoas em frente ao clube era enorme, pois além dos sócios e da galera que frequentava o clube, também existia o povo que, sem grana para entrar. Eles comandavam o footing dali mesmo, na  área externa do clubão...

Se os bancos da Praça Cornélio Procópio, em frente ao clube falassem, com certeza teriam que entrar num destes programas de proteção à testemunha, de tantos segredos de triângulos amorosos, paixões não correspondidas, amores calientes e também traições e desacertos que dos quais conheciam detalhes...

E com amigos e amigas, fazíamos a festa nas quentes noites de domingo antes que segunda-feira e o despertador nos trouxesse de volta à dura realidade do trabalho e dos estudos.

Aqueles momentos mágicos eram como um teletransporte à uma dimensão de muita diversão e ilusão. Com amigos como Márcio Girotto, meu irmão Gnardinho, os irmãos Edson e Bibi Gouveia, começávamos as tardes de domingo tomando cuba libre na casa dos Gouveia, na Rua Francisco Prado. Em frente morava a hoje competente advogada Tidemore Crema, que era grande amiga da hoje também advogada Solange Azevedo e de Karina Macedo...

Ficávamos lá ouvindo bandas de rock e fazendo o aquecimento para mais uma noite de muita música e alegria. No clube não ficávamos parados um segundo sequer! Movidos a cerveja e a cubas libres, pulávamos feitos cabritos até que o último balanço terminasse.

Depois vinha a famosa seleção de músicas lentas, com a trilha sonora obrigatória de muitos romances. Quantos casais, naquelas noites de domingo, não trocaram o primeiro beijo ouvindo “Drive” do grupo The Cars, por exemplo? E quantas quarentonas ou cinquentões de hoje se for pedir uma música na Porto FM não indicará “Forever Young”?

E como esquecer de “Sunday Blody Sunday”, “Tempo Perdido”, Maior Abandonado”, “Como eu Quero”, “África” e tantos e tantos sucessos que alimentavam nossas fantasias e nos  faziam acreditar que no tempo não iria passar e que seríamos jovens para sempre???

Pequenas fagulhas da felicidade daqueles domingos ainda alimentavam as noites das segundas-feiras, quando, no intervalo das aulas na EE Djalma Forjaz, que à época funcionava no prédio onde hoje existe o chamado “Postão” no final da Avenida José Ferreira de Azambuja.

Nestes momentos aproveitava para “comentar” as domingueiras com amigas como Josiane Palmeira e Adriana Vizolli. Era o momento de darmos muita risada uns dos outros.

De repente, olhei para a praça e quando voltei os olhos, surpresa!!!  As luzes do clube estavam acesas e o local apinhado de gente, ao som de “Final Countdown”, do Europe!!! Aí, pensei, vamos para mais uma noite daquelas!!! Nisso o despertador tocou e acabou com o sonho...

 

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