Moradores lamentam desativação da escola mais antiga de Porto Ferreira

Alunos serão transferidos para outras instituições. Prédio deverá abrigar Secretaria da Educação

Publicado em 16/10/2017 09:34:04 | Por: G1 São Carlos e Araraquara

Moradores lamentam desativação da escola mais antiga de Porto Ferreira
A anunciada desativação da Escola Sud Mennucci está causando muita polêmica em Porto Ferreira e na região - divulgação

 

Escola de 103 anos em Porto Ferreira terá ensino encerrado (Foto: Reprodução/ Prefeitura de Porto Ferreira)

Escola de 103 anos em Porto Ferreira terá ensino encerrado (Foto: Reprodução/ Prefeitura de Porto Ferreira)

A decisão do Conselho Municipal de Educação de Porto Ferreira (SP) de desativar a escola mais antiga do município tem causado tristeza entre os moradores. A tradicional Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Sud Mennucci, que fica no Centro da cidade, irá fechar suas salas de aula e será transformada no novo 'Palácio da Educação', onde funcionará a Secretaria Municipal de Educação .

A proposta apresentada pela secretária de Educação, Cláudia Regina Lopes Aguiar, foi aprovada em 27 de setembro, em uma sessão extraordinária do Conselho.

Os alunos serão transferidos gradativamente para outras escolas mais perto de suas residências. Em 2018, já não haverá mais as salas de primeiro e segundo anos e em 2020 não haverá mais aulas no local.

Polêmica

A decisão tem causado tristeza entre os moradores de Porto Ferreira, principalmente entre aqueles que estudaram na escola, como Tais da Silva Oliveira, de 31 anos, que não concorda com a decisão. "Ninguém quer que o ensino dali acabe. Sempre deu certo e, ao invés de corrigir o que está errado, a administração veio mexer no que está dando certo? Fomos pegos de surpresa", disse.

Ela ressaltou que o local faz parte da memória da cidade. "Estudei na segunda série. A questão também é a memória , tipo 'eu estudei, minha mãe, meus avós'. São as lembranças e histórias que também estão em jogo", completou.

A analista de recursos humanos Graziela Prado, de 31 anos, tem uma sobrinha que estuda na instituição."O pessoal fala que é pela tradição, mas não vejo só por mim, minhas outras amigas têm filhos. O problema é o que irá acontecer com as crinaças dos 1º e 2º anos. Elas estarão nos bairros, mas vai ter superlotação? Quais são os números reais disso tudo?", questionou.

 
Escola de Porto Ferreira passou por revitalização em 2014 (Foto: Reprodução/ Prefeitura de Porto Ferreira)

Escola de Porto Ferreira passou por revitalização em 2014 (Foto: Reprodução/ Prefeitura de Porto Ferreira)

Justificativa

De acordo com a secretária de Educação, além da conservação da estrutura do prédio que é muito antigo, o principal motivo do fechamento da escola é colocar as crianças estudando em seus bairros que estão com salas vazias."Fizemos um estudo de demanda e a logistica é de que os alunos da escola Sud Mennucci são advindos dos bairros da cidade ", afirmou Cláudia.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) diz que o poder público tem que oferecer as vagas na região de moradia do aluno. Segundo Cláudia, somente 13 alunos moram no centro, os outros 452 alunos alunos da Emef Sud Mennucci deveriam estar estudando em outras escolas. "Tem uma escola que comporta 400 alunos, mas, atualmente está com 194, ou seja, os alunos daquela região estão estudando no Sud Mennucci", afirmou Claúdia.

Questionada sobre o aumento de demanda e o risco de superlotação nas outras escolas, a secretária afirmou que as instituições tem salas osciosas que estão fechadas por falta de alunos.

 
Escola foi a primeira instituição de ensino de Porto Ferreira (Foto: Arquivo/ Miguel Bragioni)

Escola foi a primeira instituição de ensino de Porto Ferreira (Foto: Arquivo/ Miguel Bragioni)

103 anos de história

O edifício da Emef Sud Mennucci é tombado pelo patrimônio histórico. O prédio foi inaugurado há 103 anos, sendo a escola mais antiga e o único lugar tombado na cidade.

De acordo com o presidente da Câmara dos Vereadores, Miguel Bragioni, que é pesquisador da história de Porto Ferreira, a escola só teve as atividades interrompidas por seis meses, em 1918, para servir de hospital, por conta de um surto de gripe espanhola que ocorreu na cidade.

Para Bragioni, a comoção pelo fechamento é mais sentimental do que devido à qualidade de ensino. "A escola não tem um sistema próprio de ensino, não existe um ensino 'tradicional'. Ele é tradicional pelo prédio secular e a população tem essa questão por causa do sentimentalismo, porque outras pessoas da família passaram por ali", disse.

 

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