Fazenda Santa Maria preserva a magia do apogeu do café

Atualmente, além de produzir cana de açúcar e leite orgânico para a Nestlé, local se tornou polo de turismo rural e histórico

Publicado em 22/01/2020 17:02:47

Fazenda Santa Maria preserva a magia do apogeu do café
A casa da sede e o conjunto arquitetônico e de ferramentas da Santa Maria é raro no interior paulista - DIVULGAÇÃO

Marco Rogério

O município de São Carlos possui alguns lugares que, pelo acervo arquitetônico e pela preservação de objetos , ferramentas e documentos nos remetem ao passado e fazem a ponte com o presente. A Fazenda Santa Maria do Monjolinho é um destes lugares “mágicos”.

O COMEÇO - José Inácio de Camargo adquiriu em 1850 a Fazenda Santa Maria, situada nas glebas à margem do Rio Monjolinho e deixou como herdeiros seus filhos Major José Inácio e Theodoro Leite de Camargo. Theodoro obteve avultada fortuna na época áurea da produção cafeeira. Em 1886 com objetivo de receber o título de Barão quando da visita de D. Pedro II em São Carlos para inaugurar a Ferrovia, Theodoro iniciou a construção de um grande sobrado como sede para a Fazenda Santa Maria. O imóvel deveria receber o Imperador Dom Pedro II e toda a comitiva em seus 34 cômodos divididos em 1.000 metros quadrados de área construída. A Proclamação da República três anos depois impediu a ilustre visita.

Várias construções da fazenda são do Século XIX, como o grande terreiro de café atijolado, o aqueduto, que conduzia água para movimentar a roda d’água e gerar energia para a máquina de beneficiar café. A senzala, moradia dos escravos era composta por dois compartimentos sem janela depois foi transformada em colônia para os imigrantes italianos.

SÉCULO XX - Em 1904 o casal Candido de Souza Campos e Zuleica Malta comprou a propriedade com todo mobiliário e pertences os quais são conservados e utilizados até hoje pela quinta geração de seus descendentes.

No primeiro piso do grande sobrado existe um “Museu Casa” com todo o acervo catalogado e classificado. Durante a visita monitorada ao museu o turista também pode ouvir uma linda música tocada no gramofone, aparelho de som da época.

A antiga Estação de trem do Monjolinho está localizada às margens do rio Monjolinho. Ela funcionou entre os anos de1905 e 1936 e foi criada principalmente para transportar a produção cafeeira. Os trilhos eram de bitola curta, com um metro de distância entre eles. Desde a década de 1980 a estação foi transformada em restaurante rural, servindo comida mineira. Esta culinária, somada à curiosidade dos visitantes resultou no programa de visitação monitorada à fazenda onde as pessoas conhecem a história de São Carlos e do Brasil a partir da era de ouro do café.

Museu preserva acervo e documentos de imigrantes italianos

Marco Rogério

Além da agropecuária, outra atividade econômica da fazenda é o turismo histórico e rural. No primeiro piso do grande sobrado existe um “Museu Casa” com todo o acervo catalogado e classificado. Durante a visita monitorada ao museu o turista também pode ouvir uma linda música tocada no gramofone, aparelho de som da época.  Os livros de ponto de trabalho dos lavradores italianos estão intactos e nem parecem ter mais de 100 anos. “Além disso, oferecemos passeio a cavalo e outras atrações”, ressalta o proprietário Décio Malta Campos.  

O local recebe cerca de 220 visitas agendadas por ano, principalmente de escolas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No interior paulista, Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Araraquara se destacam entre as cidades que mais procuram o local para fazer turismo e conhecer história.

Atualmente, a fazenda conta com plantações de cana, mas também se destaca na pecuária. A propriedade produz 1.500 litros de leite por dia do gado Jersolando, mistura das raças Jersey e Holandês. A Santa Maria é considerada fazenda-modelo na produção do leite orgânico pela Nestlé. Este leite fornecido pela fazenda é transformado em leite em pó orgânico pela multinacional.

Segundo ele, um dos objetivos é a restauração do local, principalmente da Casa Grande. “Esta obra demanda um investimento de cerca de R$ 2 milhões, que estamos tentando obter através da Lei Rouanet”, destaca o fazendeiro.

 

NOVA TECNOLOGIA GEROU AMEAÇA DE EXCOMUNHÃO 

O fazendeiro Décio Malta Campos lembra com bom humor de uma passagem bastante inusitada em sua vida. Nos anos 1950,quando concluiu o curso de Agronomia na ESALQ-USP em Piracicaba, ele, como jovem engenheiro agrônomo chegou à Santa Maria com ideias novas. Uma delas foi investir na produção de gado leiteiro Jersey, com reprodução através de inseminação artificial, dispensando a presença do touro, algo inédito na época.

Quando o Bispo Dom Ruy Serra ficou sabendo, chamou Décio Mata Campos para conversar e chegou a lhe ameaçar de excomunhão da igreja, caso não desistisse de seus projetos. 

 

 

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