RESUMO DA ÓPERA - Uma ilusão chamada Neto Donato

E o que aconteceu depois das eleições? O que fez Neto Donato? Esteve à frente dos debates em torno do futuro de São Carlos? Apontou os erros da atual gestão? Esteve com a população nas discussões dos problemas do cotidiano?

Publicado em 25/07/2019 07:02:33

RESUMO DA ÓPERA - Uma ilusão chamada Neto Donato

 

Marco Rogério Duarte

Ao longo da sua vida, o empresário e atual prefeito, Airton Garcia Ferreira, soltou várias frases. Algumas se tornaram profecias, outras bravatas. Mas algumas realmente foram sábias e podemos levar para a vida. Uma das frases mais lúcidas e interessantes de Airton saía de sua boca quando alguém lhe perguntava quantos votos ele teria certeza de contabilizar nas urnas a cada pleito que disputava. Ele sempre respondia que 100% de certeza ele teria de dois votos: o seu próprio e de sua mãe, Henriqueta.

Em São Carlos, em 2016, Airton venceu a corrida pela Prefeitura de São Carlos com 48.951 votos, aproximadamente 40% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou Neto Donato, com 20,25% dos votos válidos ou 25.016 votos. Walcinyr Bragatto ficou em terceiro, com 23.234 votos ou 18,81 dos votos.

A partir do surpreendente resultado, o MDB, partido ao qual Neto Donato pertencia, começou a vislumbrar no advogado o surgimento de uma “grande liderança”, que poderia vencer, até com certa facilidade a próxima eleição.

Assim como, no futebol falamos que “cada jogo é uma história”, cada disputa eleitoral tem suas próprias peculiaridades. Na eleição de 2016 estava em moda o “anti-político”, na verdade o político que faz carreira atacando a chamada política tradicional.

Na época, em 2016, a cidade vivia o último ano da desastrosa gestão do prefeito Paulo Altomani, que sofreu uma derrota acachapante nas urnas. A sucessão teve uma disputa acirrada com ataques de todos os lados, principalmente de Altomani contra Airton e vice-versa.

Neto Donato, invenção de Eduardo Cotrim (este sim, um grande articulador político) apareceu como um moço bonzinho que não criticava ninguém e apresentava “propostas”. Por sua vez também não era criticado, pois ninguém gastava munição com ele, visto como um concorrente sem chances de vitória.Em meio ao tiroteio, o rapaz com cara de padre cativou parte da classe média que não aceitava Airton e que desejava um outro candidato, com perfil mais calmo e sóbrio. Este mesmo eleitorado, digamos de passagem, também optou por Bragatto, que obteve 23.234 votos ou 18% do total.

E o que aconteceu depois das eleições? O que fez Neto Donato? Esteve à frente dos debates em torno do futuro de São Carlos? Apontou os erros da atual gestão? Esteve com a população nas discussões dos problemas do cotidiano? A resposta para todas estas perguntas é NÃO.

Nada contra Neto, que é até uma boa pessoa. Mas durante estes últimos quatro anos ele ficou abrigado num cargo de confiança na Câmara Municipal ganhando um gordo salário e assistindo de camarote com direito à guaraná e pipoca os problemas de São Carlos.

Em quatro anos muitas coisas mudam. A vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais mostrou isso. Será que Neto, numa disputa acirrada, sendo atacado e tendo que contra-atacar, resistiria? Resistiria ele, por exemplo, a um debate com o polêmico Leandro Guerreiro??? Ou iria a nocaute?

No Brasil, como disse uma vez Pedro Malan, é complicado prever até o passado, quanto mais o futuro. Porém, na minha opinião, Neto é nuvem passageira e mais um grande erro dos tucanos são-carlenses que parecem ter perdido de vez o rumo.

 

Marco Rogério Duarte é jornalista

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