Promotoria abre inquérito para investigar Colussi, Inigo e "Chu" no "Caso da Rachadinha"

Ex-namorado de Roberto Paulo o acusa de contratar Colussi sob a condição de lhe repassar parte do salário

Publicado em 23/09/2020 08:53:42

Promotoria abre inquérito para investigar Colussi, Inigo e

Marco Rogério

O Ministério Público Estadual, através do oitavo promotor de Justiça Sérgio Martin Piovesan de Oliveira, instaurou inquérito civil para investigar o "Caso da Rachadinha", que envolve o atual chefe de gabinete da Secretaria de Planejamento, Carlos Augusto Colussi, o ex-secretário da mesma Pasta, Roberto Paulo Valeriani Ignátios e seu ex-namorado, Emerson Lucindo, o "Chu". As reportagens do FALA PORTO serviram como base para o MP abrir a investigação. 

O chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento de São Carlos, Carlos Augusto Colussi, está sendo acusado de promover “rachadinha” durante o mandato do atual prefeito, Airton Garcia (PSL). Morador de Porto Ferreira,  ele foi nomeado em janeiro de 2017 para o cargo de chefe de gabinete da Pasta de Planejamento pelo então secretário, o engenheiro civil Roberto Paulo Valeriani Ignátios, filho do ex-prefeito de Porto Ferreira, Syrio Ignátios. "Rachadinha" é o crime onde um servidor de cargo de confiança divide parte do salário para outra pessoa por acordos políticos.O acusador não revelou se o prefeito Airton Garcia tinha conhecimento do esquema.

A denúncia foi feita pelo ex-namorado de Roberto Paulo Valeriani Ignátios, o ex-candidato a vereador de Porto, Emerson Lucindo, mais conhecido como "Chu". Ele afirma que no início da gestão de Airton Garcia, seu então namorado Roberto Paulo, também conhecido como “Inigo”, teria contratado Colussi com a condição de ele, Colussi, repassar, mensalmente, R$ 1.500,00 do total do salário de R$ 7 mil para Chu. Segundo ele, Colussi cumpriu o acordo durante cerca de 14 meses e depois, por pressão de sua esposa, Rosana, teria cancelado os repasses de dinheiro..

Os pagamentos da “rachadinha” acordada era feita através de transferência bancária da contas correntes de Colussi para a conta de Chu, ambas no Bando Santander. O FALA PORTO teve acesso a oito destas transferências bancárias que estão sendo publicadas nesta matéria. Colussi também é jornalista e já foi sócio da família Bellini no tradicional JORNAL DO PORTO.

Além disso ele também atua como professor há vários anos no campus de Porto Ferreira da  UNICEP (Centro Universitário Central Paulista).  A reportagem também possui gravações telefônicas onde Chu revela o esquema da “rachadinha”.

Os namorados Chu e Roberto Paulo terminaram o relacionamento amoroso, em 2019. O romance durou cerca de 17 anos.  Chu, inclusive, move contra Roberto Paulo um processo na Justiça Cível de  Porto Ferreira um processo buscando a configuração da situação de “união estável” entre ambos, exigindo o pagamento de pensão de alimentos e outras indenizações do ex-secretário de São Carlos. Um dos autores da ação seria o advogado Vagner Escobar. Em algumas noites em Porto Ferreira, Roberto Paulo frequentava os bares de Porto Ferreira vestido de mulher. Inigo destacou-se politicamente no municipio de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, onde reside atualmente. Ele foi secretário de Planejamento daquele município por vários anos.

OUTRO LADO - A reportagem não conseguiu falar com Colussi e Inigo para comentarem o assunto. 

O QUE É RACHADINHA? 

Embora seja considerada frequente por especialistas e investigadores, a prática da chamada "rachadinha" só se tornou conhecida de muitos brasileiros neste ano, por causa da repercussão do caso Queiroz, no governo do presidente Jair Bolsonaro.

Ela consiste no repasse, por parte de um servidor público ou prestador de serviços da administração, de parte de sua remuneração a políticos e assessores.

Bolsonaro e o filho do presidente, o deputado estadual Eduardo Bolsonaro, são suspeitos de organizar um esquema de "rachadinha" no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do RJ. Segundo o site G1 e o jornal O Estado de S. Paulo, a Promotoria identificou que Queiroz recebeu R$ 2 milhões por meio de 483 depósitos de dinheiro em espécie feitos por 13 assessores ligados ao gabinete do filho do presidente da República.Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro negam todas as acusações.

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