Professor da USP alerta para caos no trânsito e engarrafamento de rodovias

Felex aponta a necessidade urgente de obras e novas vias para que São Carlos não fique ainda mais estática do que está hoje

Publicado em 24/03/2020 15:02:13

 Professor da USP alerta para caos no trânsito e engarrafamento de rodovias
O professor José Bernardes Felex: “não se faz uma ponte, não se faz novas vias, a cidae cresce e todos ficam assistindo sem planejar o futuro” - MARCO ROGÉRIO

Marco Rogério

Se é verdade que o município de São Carlos cresceu 75 mil habitantes em 25 anos e entre 1995 e 2020, o município ganhou uma população que dá o total atual de habitantes de Pirassununga, também é verdade que a rede de vias para fazer fluir o tráfego cresceu numa proporção muito menor. Neste período, além de alguns prolongamentos das avenidas marginais, o município não recebeu grandes obras para fazer escoar melhor a imensa frota de automóveis, motocicletas, utilitários e caminhões que circulam por São Carlos diariamente.

O resultado é conhecido por todos. As ruas estão congestionadas e nos horários de pico o trânsito é bastante complicado. O professor aposentado do Departamento de Transportes e Trânsito da USP, José Bernardes Felex, especialista no tema, afirma que nestes 25 anos São Carlos não se preparou para o crescimento que recebeu e que se deve a uma série de fatores políticos, sociais, econômicos e culturais.

“Moro na Região do Santa Felícia. Quando tenho que, por exemplo, ir até à sede da Associação dos Engenheiros e Arquitetos, que fica na Marginal, eu pego a Rodovia Washington Luís, aqui na altura do Jardim Embaré e sigo até a entrada da Avenida Getúlio Vargas que fica nas proximidades da loja do Tenda e daí sigo pela Getúlio até a rotatória da antiga Indústria Cardinali onde desço pelo Castelo Branco até a Educativa e, dali para a AEASC”, relata Felex.

O especialista afirma que as ruas engarrafadas acabaram transformando rodovias, como a Washington Luís, a SP-215 e a SP 318 em grandes avenidas para a população de São Carlos. “Então, o resultado é que estas rodovias que já estão saturadas acabam também ficando congestionadas, dificultando a vida de todo mundo”, lamenta ele.

Em 2006, São Carlos tinha 94.797 veículos. Em 2018, doze anos depois, já tinha quase o dobro: 183.792 veículos. Para se ter uma ideia, em 1995, São Carlos conseguiu R$ 2.801.867,44 de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor). Em 2019 este valor saltou para R$ 53.555.907,67.

O número de acidentes envolvendo motocicletas, que são os mais letais, por exemplo, avançou 23% em 2019 na cidade de São Carlos. Nos primeiros nove meses de 2018 foram registradas 247 ocorrências envolvendo o veículo de duas rodas, numa média de 2,27 acidentes diários.

No mesmo período de 2019 o número saltou para 303, o que revela a existência de 3,36 acidentes por dia. Durante todo o ano de 2018 a Polícia Militar registrou um total de 353 casos envolvendo motos, numa média de 0,98 ocorrências por dia.

OS CULPADOS - Segundo ele, a culpa é da total omissão das autoridades de São Carlos e dos vários gestores que administraram a cidade ao longo do tempo. “Não se faz uma ponte, um viaduto, nada. Não se constroem novas vias. Falta um bom projeto de mobilidade urbana. O atual secretário, o Coca Ferraz, que foi meu aluno, cria semáforos e mais semáforos e fica pintando as faixas de pedestre de azul e branco enquanto o centro continua estático”, critica Felex.

O professor alerta que são necessárias intervenções urbanas urgentes para que a cidade possa se preparar para o futuro e para que possa honrar o título de “Capital da Tecnologia”. “Caso contrário a qualidade de vida vai ser comprometida com este grande crescimento que a vidade viveu nos últimos anos.

Comentários

Últimas notícias

Página 1 de 174