OS COVEIROS DA NAÇÃO

Eleito para que a lógica petista não mais estivesse presente no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro a reproduz

Publicado em 15/07/2020 23:14:47

OS COVEIROS DA NAÇÃO

NEY VILELA

A definição clássica de nação nos remete a uma comunidade estável, historicamente constituída pelo consentimento e desejo de uma coletividade, tendo por base um território e uma língua. Tudo isso na busca de aspirações materiais e espirituais comuns.

A nação brasileira padece de carência de artífices da nacionalidade (como foram José Bonifácio de Andrada e Silva ou Juscelino Kubitschek) e da abundância de coveiros. Já que em nosso panorama político atual inexistem construtores da nacionalidade – ou estão invisíveis ao grande público, o que dá no mesmo – ocupar-nos-emos dos muitos coveiros.

O modo de agir, dos que sabotam nossa nacionalidade, é costumeiramente o de realizar a destruição de nossa coesão social aos gritos de “viva o povo brasileiro”. Isso fica evidente desde a década de 1930 quando integralistas e comunistas, na luta pelo poder que felizmente não alcançaram, escondiam seus interesses hegemônicos mesquinhos sob a forma de luta ideológica. Um lado, dizendo defender “Pátria, Deus e Família”; o outro, dizendo defender o operariado da sanha exploradora dos burgueses. Na prática, dilaceravam o sentimento de nacionalidade. Resultou daí o Estado Novo e o seu rosário de violências.

Nos anos 1960, repete-se a catilinária. As raposas da UDN, Forças Armadas, Igreja e empresários associados ao capital estrangeiro juram defender o “mundo livre” e a moral cristã; PCB, Ligas Camponesas, UNE, Confederações Sindicais e demagogos garantem que levarão “o povo ao poder”. Nesse ambiente encarniçado, as concepções construtivas do grupo “Bossa Nova” da UDN (liberal) e da “Esquerda Positiva” (progressista), foram esmagadas. O resultado, como todos sabemos, foram os 21 anos negros de ditadura.


Mal saímos da ditadura e a rejeição da convivência pacífica diante do pluralismo ideológico e político passa a ser pregada e alimentada pelo sr. Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e os ditos movimentos sociais, pelegos do partido. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), é um bom exemplo: tratado e alimentado cordialmente pelos governos petistas, nunca se dispôs a abandonar a violência, combatendo toda e qualquer mudança legislativa e criminalizando a militância social e política.

Ao instalar e promover a lógica antidemocrática do “nós” contra “eles”, ao atropelar o sentimento de fraternidade nacional, o pessoal do PT apostou numa tática de chegar ao poder que abre caminho a uma oposição igualmente fratricida. Assim sendo, se Bolsonaro não é criação petista, é sua consequência evidente. Eleito para que a lógica petista não mais estivesse presente no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro a reproduz. A mesma polarização, intolerância, discriminação contra grupos minoritários, diminuição das liberdades e tantos outros retrocessos civilizatórios vistos nos governos petistas, crescem exponencialmente sob o bolsonarismo.

Ideologias podem ser ferramentas fundamentais para a construção de projetos, que nos levem às aspirações materiais e espirituais comuns, e que solidificam uma Nação. Amesquinhadas, numa torpe luta pelo poder e por personalidades rasteiras, as ideologias nos levarão a uma nova noite de terror. Como inexistem líderes construtores da nacionalidade, a sociedade precisa – ao menos – juntar forças para se livrar de seus prováveis assassinos e coveiros.

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