Economista destaca que crescimento de 75 mil habitantes ampliou desigualdade, mas não gerou miséria

Elton Casagrande elogia serviços públicos e afirma que mais importante que tudo é se o ser humano vive a sensação de felicidade na cidade em que vive

Publicado em 24/03/2020 14:55:00

Economista destaca que crescimento de 75 mil habitantes ampliou desigualdade, mas não gerou miséria
Elton Casagrande: “Crescer quantativamente é péssimo nos dias de hoje” - MARCO ROGÉRIO

Marco Rogério

O crescimento demográfico de 75 mil habitantes em 25 anos, entre 1995 e 2020, ampliou a diferença entre e pobres, mas graças à força econômica e a estrutura dos serviços públicos não permitiu a geração de miséria absoluta na periferia. A análise é do economista e professor universitário Elton Casagrande.

“O crescimento demográfico chegou a uma taxa de aproximadamente 1,8% ao ano. Junto com o avanço demográfico não vieram condições periféricas degradas, inteiramente de pobreza. A desigualdade social cresceu porque quanto mais cresce economicamente mais distância entre pobres e ricos acontece. Não deveria ser normal, mas é. Os Estados Unidos é um dos países com maior desigualdade social, porque a taxa de crescimento afasta cada vez mais ricos de pobres”, explica o especialista.

Segundo ele, a combinação da indústria metal-mecânica com agropecuária e depois se juntando à agroindústria do álcool, gerou várias indústrias nos anos 1960,1970 e 1980, com universidades crescendo no centro do Estado com boas condições de logística, como as excelentes rodovias.  “Este processo de prosperidade começou pela agropecuária e pela indústria e depois se espalhou pelos serviços e depois se consolido com as universidades públicas e particulares, que causam um grande ciclo migratório.”

DESAFIOS – O economista explica que São Carlos está hoje num ponto de inflexão interessante. “Hoje terá que buscar soluções para problemas ambientais utilizando tecnologia necessária”, diz.

Casagrande aprova a qualidade dos serviços públicos são-carlenses, principalmente a saúde. “Temos uma certa qualidade nos serviços públicos, Hoje o SUS de São Carlos é de tirar o chapéu, é de elogiar. Até por experiências pessoais, podemos falar que a Santa Casa, os postos de saúde centros de especialidades, estão tentando dar conta do recado, com um modelo sólido. As dificuldades vão se manter no transporte e também na dificuldades para se fazer obras de grande monta”.

PROBLEMAS – A falta de planejamento que deixa o comércio central exposto às enchentes nos períodos de verão também foi um ponto destacado por Casagrande. Segundo ele, quem tem um negócio às margens ou em áreas próximas aos rios não vão deixar o local. É de considerar e dar um freio na ocupação sem reflexão e planejamento”.

Casagrande destaca que o cresci mento da cidade pode ser virtuoso, pois mostra avanço de renda, trabalho e oportunidades. Mas segundo ele, entram outros aspectos do crescimento, como ruas estreitas, a taxação de paradas nas áreas urbanas. “Então, crescer apenas quantativamente é péssimo para o desenvolvimento nos dias de hoje. O melhor aproveitamento das estruturas e criar outro tipo de dinâmica local é que é importante, como os bens intangíveis, a cadeia de serviços, os bens culturais, são fundamentais.

Para o economista, mais importante que saltar em número de população, é que a cidade seja um local de felicidade do seu morador, do cidadão. “Crescer uma Pirassununga em 25 anos.  O que diz isso para nós em termos de como as pessoas se locomovem nas ruas, qual o sentimento de segurança que têm, qual a liberdade que podem usufruir. Este sentimento, que é próximo à percepção de felicidade, é mais importante que tudo e será cada vez mais importante daqui em diante”, conclui ele.

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