Padre é suspenso por diocese após caso de extorsão por vídeo de sexo e morte de PM

Pároco de igreja de Matão (SP) era extorquido por homem com quem teria relação homossexual. Sargento foi morto quando tentava fazer o flagrante do crime, na segunda (19).

Publicado em 22/02/2018 17:02:17 | Por: G1 São Carlos e Araraquara

Padre é suspenso por diocese após caso de extorsão por vídeo de sexo e morte de PM
Casa do padre onde sargento da PM foi assassinado em Matão (Foto: Reprodução/ EPTV)

 

 
Paróquia de Santo Expedito, em Matão (Foto: Reprodução/ EPTV)

Paróquia de Santo Expedito, em Matão (Foto: Reprodução/ EPTV)

A Diocese de São Carlos (SP) suspendeu nesta quinta-feira (22) o padre Edson Maurício, que era responsável pela Paróquia de Santo Expedito, em Matão. O religioso de 50 anos estava sendo extorquido por três homens, que são suspeitos de matar um sargento da Polícia Militar que tentou flagrar o crime na segunda-feira (19).

Um vídeo do padre fazendo sexo com um deles seria o motivo da extorsão. O trio teve a prisão temporária decretada ainda está foragido e nega o assassinato do policial. A Polícia Civil investiga o caso.

Igreja pede desculpas a fiéis

Em nota, a diocese anunciou a decisão de afastar o pároco, após a divulgação da existência do vídeo. “(...) o padre foi suspenso de todas e quaisquer atividades, incluindo o ofício de Pároco da Paróquia de Santo Expedito, na cidade de Matão".

O comunicado ainda pediu desculpas aos fiéis. "A Diocese de São Carlos, na pessoa de seu Bispo, Dom Paulo Cezar Costa, lamenta e humildemente pede desculpas aos fiéis católicos, aos homens e mulheres de boa vontade, por este ato isolado contra conduta moral e os valores evangélicos”, disse o comunicado, que não informou quem será o substituto do padre no local.

O padre não foi encontrado para comentar a decisão. Desde o dia o assassinato do sargento ele não apareceu mais na paróquia.

Extorsão e morte de sargento

Segundo Luiz Gustavo Vicente Penna, advogado de Edson Ricardo da Silva, de 32 anos, o cliente tinha um relacionamento homossexual com o padre há cerca de 3 anos e decidiu extorqui-lo depois que sua esposa pediu o divórcio.

Ele pediu R$ 80 mil para não divulgar um vídeo dos dois fazendo sexo. As imagens teriam sido gravadas pelos amigos dele, Luiz Antônio Carlos Venção, de 28 anos, e Diego Afonso Siqueira Santos, de 22.

Na versão dos policiais e do padre divulgada pela Polícia Civil, o religioso estava com medo da extorsão que sofria há cerca de um mês e pediu ajuda a um amigo de Araraquara, que indicou os policiais para flagrar o crime.

Mesmo de folga, o sargento e outros três policiais foram com padre até a casa do padre no bairro Residencial Olivio Benassi. A PM abriu inquérito para apurar a conduta dos policiais, que é fora do protocolo.

Os três homens chegaram armados até a casa e, quando entraram, foram surpreendidos pelo sargento Arruda, que levou dois tiros no peito. Ele foi socorrido, mas não resistiu. Ele era casado e tinha três filhos.

Versão diferente dos suspeitos

Já a versão dos suspeitos, segundo o advogado, é diferente. “O padre abriu a porta e pediu para eles entrarem. Dois ficaram na sala e o Edson foi chamado para ir até o quarto. No corredor, ele viu um homem armado com roupa branca e encapuzado, que pediu para ele passar o CD. Essa pessoa falou que ele era trouxa e perguntou se ele achava que o vídeo só valia R$ 80 mil. Em seguida falou para eles irem embora”, afirmou o advogado.

 
Edson Ricardo da Silva, Luiz Antônio Carlos Venção e Diego Afonso Siqueira Santos são suspeitos de envolvimento na morte de PM em Matão (Foto: Polícia Civil/ Divulgação)

Edson Ricardo da Silva, Luiz Antônio Carlos Venção e Diego Afonso Siqueira Santos são suspeitos de envolvimento na morte de PM em Matão (Foto: Polícia Civil/ Divulgação)

Quando o padre abriu o portão para o trio sair, eles ouviram uma discussão e disparos dentro da casa.

“Eles não entenderam e foram embora. Curioso para saber o que aconteceu, o Edson pegou um carro, passou na rua depois de cerca de 40 minutos e viu uma Saveiro com três pessoas em frente à casa. Ele foi embora e no outro dia os três souberam dos fatos”, disse Penna.

O advogado de defesa diz que muitas questões precisam ser esclarecidas e acredita que as câmeras de seguranças do bairro podem ajudar na investigação.

O G1 não encontrou o delegado Marlos Marcuzzo na manhã desta quinta-feira (22) para comentar o caso. Já o comando da PM informou que não irá se pronunciar no momento por questões de diligências e apurações.

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