Dono da Intersom FM diz que vai levar morto para dar entrevista na emissora

Famoso por suas gafes no ar, Gerson Edson Toledo Piza, o Juquita, desta vez, "ressuscitou" o ator Névio Dias, morto em 2010

Publicado em 23/04/2019 08:57:20

Dono da Intersom FM diz que vai levar morto para dar entrevista na emissora
Juquita, ao centro, entre Amaral e Caromano: mais uma gafe para a grande coleção - REPRODUÇÃO

Marco Rogério 

O dono da emissora de Rádio Intersom Fm, o empresário e radialista Gerson Edson Toledo Piza, o Juquita, disse, na manhã desta terça-feira, 23 de abril, que vai convidar o ator Névio Dias para dar uma entrevista na emissora. O problema é que Dias morreu em 2010. A afirmação absurda se deu durante o programa Intersom Debates, que vai ao ar das 7h45 às 9h diariamente pela emissora.

Durante o programa de hoje, Juquita debatia, com o ex-prefeito José Bento Carlos do Amaral e com o diretor de Cultura de São Carlos, Carlos Caromano, os 50 anos do Teatro Municipal Alderico Vieira Perdigão. A afirmação se deu ao final do programa, quando Juquita afirmou que iria convidar os antigos atores de São Carlos para contar suas experiências na emissora. Aí, além de Angelo Bonicelli, ele também citou Névio Dias e foi logo corrigido por Amaral e também por Caromano.

Juquita é famoso pelas suas gafes. Há alguns anos ele chamou a triatleta Carla Moreno de "Carla Perez". Em 1998 ele perguntou ao hoje secretário de Transportes de São Carlos, Antonio Clóvis Pinto Ferraz, o Coca, se não se podia mais andar a mais que sessenta por cento nas avenidas marginais de São Carlos. Uma das  maiores gafes ocorreu ainda nos anos 1990, quando havia um boato na imprensa mundial de que agentes da CIA haviam assassinado o presidente de Cuba, Fidel Castro. Juquita anunciou, à época, que a CIA poderia ter matado naquele dia Che Guevara, guerrilheiro morto em 1968. 

Névio Dias (São Caetano do Sul em 4 de dezembro de 1922 — Rio do Sul em 29 de novembro de 2010)[2][3] foi um teatrólogobrasileiro radicado em São Carlos desde 1953, para onde mudou-se quando da criação da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo.

Quando Névio Dias mudou-se para São Carlos, para trabalhar no Instituto de Física de São Carlos, integrou-se ao movimento para o acabamento das obras do Teatro Municipal de São Carlos. Procurou os administradores da cidade e juntou-se aos grupos de teatro amador que existiam na cidade e na região, conseguindo assim a inauguração funcional do Teatro Municipal de São Carlos, em 22 de outubro de 1966, e conseguiu em 1965, ser o primeiro presidente da Federação do Teatro Amador do Centro do Estado de São Paulo(Fetac), que havia fundado, e também foi o primeiro presidente da Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo (Cotaesp).

O seu desejo de fazer teatro, e lutar contra o conservadorismo da cidade, fez com que o movimento durante uns dez anos, funcionasse muito bem, pois havia necessidade de manifestar-se contra o regime de exceção instaurado em 1964, o que se perdeu através dos anos vindouros, pois a partir de 1976 a política local começou a tirar os amadores do teatro e o movimento foi se enfraquecendo.

São Carlos já foi referência nacional em teatro amador, entre as décadas de 1960 e 1970, No auge do movimento, a cidade sediou festivais nacionais através do Fenata, e proveu um grande intercâmbio entre personalidades e artistas.[5]

Nas cidades no entorno de São Carlos (AraraquaraRibeirão BonitoDouradoDescalvado e Pirassununga), havia vários grupos de teatro amador, e quando se criou a Federação do Teatro Amador do Centro do Estado de São Paulo (Fetac) em 1965, o estado de São Paulo possuía cerca de quatrocentos grupos de teatro amador assistidos por dezoito federações regionais, que depois foram aglutinadas pela Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo (Cotaesp).[6]

A contribuição de Névio Dias, foi presente na formação de todas essas entidades do movimento do teatro amador são-carlense e regional, ultrapassando os limites materiais do teatro municipal da cidade. E a comunicação através do teatro, que havia naquela época, foi sendo perdida com o passar dos anos. Havendo hoje um a necessidade de reavivar essa vontade nas novas gerações.

Fundou os grupos de teatro Equipe Teatral São SebastiãoPaus de Arara/Sesc São Carlos e Grupo Porão 7 (do qual saiu os atores Marcelo Picchi e Edson Celulari, entre outros). Dirigiu cerca de catorze peças. É autor de Memória 1965 a 1970.[7][8]

No cinema, houve algumas realizações, entre elas, Pedro Canhoto.

Em sua memória, foi realizada uma homenagem pelo Instituto de Física de São Carlos da USP, em 19 de março de 2011, que aconteceu no Teatro Municipal de São Carlos.

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