Dia Mundial de Luta contra o Câncer: conheça histórias de pessoas que venceram a doença

Diretora da escola e estudante de educação física de São Carlos (SP) relatam a trajetória de superação.

Publicado em 08/04/2018 18:50:45 | Por: G1 São Carlos e Araraquara

Dia Mundial de Luta contra o Câncer: conheça histórias de pessoas que venceram a doença
Diretora pedagógica Regina Helena Corsi Mangieri teve câncer duas vezes (Foto: Arquivo Pessoal)

 
Diretora pedagógica Regina Helena Corsi Mangieri teve câncer duas vezes (Foto: Arquivo Pessoal)

Diretora pedagógica Regina Helena Corsi Mangieri teve câncer duas vezes (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando a diretora de escola Regina Helena Corsi Mangieri, de 48 anos, teve câncer de mama há 13 anos, os pacientes costumavam esconder a doença e somente os casos fatais eram conhecidos, dando a impressão de que ela era uma sentença de morte. Por isso, quando descobriu a doença pela primeira vez – ela superou de dois cânceres de mama -, Regina decidiu tomar uma atitude diferente e expor a sua situação.

O Dia Mundial de Luta contra o Câncer é lembrado neste domingo (8), data que passou a integrar o calendário de atividades do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Duas pessoas de São Carlos (SP) que tiveram a doença contaram ao G1 suas histórias de superação.

A primeira vez que Regina teve câncer foi aos 35 anos. Mãe de três filhas, a mais nova na época com 5 anos, ela descobriu o tumor em um exame de rotina.

“Não tenho pessoas com câncer na família, amamentei minhas filhas, não tinha sintomas, não sentia nódulos. Fiz a mamografia porque a médica disse que era rotina aos 35 anos e que, se não desse nada, eu teria que repetir a cada ano, depois dos 40”, contou.

Medo

 
Regina (ao centro) com os pais em São Carlos (Foto: Arquivo pessoal)

Regina (ao centro) com os pais em São Carlos (Foto: Arquivo pessoal)

O resultado trouxe um misto de surpresa e desespero. “Tive medo de morrer, deixar filhas pequenas”, contou. Em seguida, Regina tomou uma decisão que ia definir a forma como ia encarar a doença e, em uma época que os casos de câncer eram escondidos, decidiu ir para a rua. “Não fiquei em casa. Ia trabalhar na escola de lenço”, lembrou.

Ela decidiu que ia contar a sua história e usá-la para esclarecer as pessoas. “Antigamente não tinha informação. Eu não conhecia quem tinha superado o câncer. A doença era um significado de morte para mim porque as pessoas não costumavam falar sobre isso. Só no tratamento conheci casos de sobrevida. Então, achei que era importante não me esconder e isso me encheu de energia”, disse.

Explicava para quem quisesse ouvir o que tinha e como estava se tratando, até para as criancinhas da escola, curiosas por ela estar sempre de lenço. “Elas me perguntavam se era verdade que eu estava careca e eu confirmava e contava o que estava acontecendo”, lembrou.

Quatro anos depois de se curar com tratamento de quimio e radioterapia, Regina teve a surpresa de engravidar da quarta filha “Achei que ficaria infértil por causa da quimio e foi uma surpresa quando descobri que estava grávida. Fui procurar o médico porque achei que estava doente novamente e descobri que estava grávida!”, contou.

Mas o seu temor se tornou realidade um ano depois de ter dado à luz. Pela segunda vez descobriu um tumor no seio. “O medo é enorme do mesmo jeito do primeiro. Pior até porque pensei: ‘Sobrevivi pela primeira vez, agora eu vou de vez’”, brincou. Mas, mais uma vez ela superou a doença, sem parar com a sua vida profissional e familiar.

Família

 
Filhas de Regina foram o foco dela durante o tratamento contra o câncer (Foto: Arquivo Pessoal/ Regina Helena Corsi Mangieri)

Filhas de Regina foram o foco dela durante o tratamento contra o câncer (Foto: Arquivo Pessoal/ Regina Helena Corsi Mangieri)

Aliás, a família foi o foco e o apoio de Regina durante os tratamentos. “Nos dois períodos, meu medo era morrer e minhas filhas não saberem o quanto eu as amava”.

Ela chegou a escrever cartas para as filhas. Uma delas foi descoberta por uma das filhas recentemente. “Foi um momento muito bonito porque ela disse que não tinha ideia de como eu me sentia durante o tratamento”, contou.

Por conta do medo da doença, as filhas mais novas também tiveram uma educação diferente. “As duas foram criadas para serem independentes porque eu tinha medo de faltar”, afirmou.

Sem permissão para ficar triste

Além de lutar contra a doença, Regina enfrentou outra batalha interna. “Existe o mito de que só as pessoas felizes se curam, então as pessoas te cobram para que fique bem o tempo todo. Isso é ruim porque, além de ter que lidar com a doença, você tem medo de sentir tristeza e isso te deixar mais doente”, afirmou. “Nem sempre a gente vai estar confiante”, completou.

Ela dá um conselho para as pessoas que estão ao lado de pacientes que estão em tratamento com câncer: “Tem que ficar do lado e escutar não só as coisas boas, mas também as tristes e evitar as histórias de pessoas que não conseguiram sobreviver. No tratamento, eu ia de fone de ouvido ou levava um livro porque os acompanhantes contavam os piores casos possíveis, não é o momento para isso”, observou.

Regina diz que o medo é um companheiro constante, mas não faz disso um empecilho. “O medo continua para sempre. Já foi há oito anos, mas sempre é uma ansiedade fazer os exames, mas isso não impede que eu faça as coisas, pelo contrário, me dá mais força para viver”, disse.

Pausa para curar

 
Cauê foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin em 2009 (Foto: Arquivo Pessoal/ Cauê Felici Muniz dos Santos)

Cauê foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin em 2009 (Foto: Arquivo Pessoal/ Cauê Felici Muniz dos Santos)

O câncer foi uma pausa na vida do músico e estudante de educação física Cauê Felici Muniz dos Santos, de 27 anos.

Em 2009, aos 18 anos ele foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin, e viu sua vida mudar a partir daí. Universidade, namoro, sua carreira de músico gospel e até a cidade em que morava sofreram consequências da doença.

Durante o mais de um ano de tratamento, ele teve que trancar o curso de educação física na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente (SP) e a família mudou de Presidente Venceslau para São Carlos (SP) para facilitar o tratamento.

Mudança total

A sua vida começou a mudar em um 1º de abril, quando o resultado da biópsia saiu. Antes ele tinha procurado o médico para curar o que ele achou ser uma tuberculose, mas o raio-X mostrou uma mancha muito grande, que depois foi comprovado ser o linfoma.

A partir daí foram seis meses de quimioterapia que teve resultado positivo, mas não o suficiente. O tumor de 14 x 9 cm tinha reduzido pela metade, mas as células cancerígenas continuavam ativas.

 
Cauê teve câncer aos 18 anos (Foto: Arquivo Pessoal/ Cauê Felici Muniz dos Santos)

Cauê teve câncer aos 18 anos (Foto: Arquivo Pessoal/ Cauê Felici Muniz dos Santos)

“Quando recebi a notícia, foi ruim, foi o primeiro momento em que ficava pensando o pior porque tinha perdido dois amigos com câncer, mas depois me reestabeleci e nunca deixei de acreditar que ia me curar”, contou.

Cauê precisou partir para um transplante, que foi feito em São José do Rio Preto (SP). “Dei sorte porque minha medula estava conservada e consegui fazer um autotransplante”, contou.

Foram mais meses de acompanhamento e tratamento intenso, no qual ele se manteve positivo, apoiado na sua fé e na sua família.

“Quem me acompanhou firme e forte mesmo com vários problemas de saúde, que não deixou a peteca cair foi minha mãe. Em Rio Preto, ficamos numa casa de apoio, onde homem e mulheres dormiam em quartos separados. Mas depois da quimioterapia ela dormia na porta do quarto, no tempo, com medo de algo acontecer comigo”, contou

Ele diz que são esses momentos que vai ter como lembrança do seu período doente. “Tem muita coisa, detalhe que com o tempo a gente vai esquecendo, mas tudo o que ela [sua mãe] fazia por mim eu vou guardar pra sempre”, disse.

Aos poucos Cauê foi retomando suas atividades. Em 2013, voltou para a música e montou uma banda. Em 2015, prestou vestibular e passou em Educação Física na UFSCar. Hoje, trabalha em uma escola e faz universidade e toca em bares e festas aos fins de semana e tem uma nova namorada.

Ele ainda teme a doença, mas isso não o impede de ir atrás de seus sonhos. “Medo eu tenho. O tratamento seria completamente diferente hoje, já que eu teria que depender de um outro doador. Mas eu não vivo em cima desse medo”, afirmou.

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