Netflix estreia série "O Justiceiro" nesta sexta-feira, 17 de novembro; veja o trailler

A ‘missão’ do Justiceiro não é uma vingança contra ALGUÉM em particular, mas sim contra TODOS os criminosos que vê pela frente

Publicado em 16/11/2017 22:51:32 | Por: THIAGO BORBOLLA

Netflix estreia série
O Justiceiro é uma das séries mais esperadas do ano - DIVULGAÇÃO

 THIAGO BORBOLLA

Eu tinha assistido aos dois primeiros episódios de Justiceiro quando mandei uma mensagem pro nosso querido Thiago Cardim perguntando se ele conseguiria resumir a origem do personagem nos quadrinhos pra mim. Ok, a família dele foi morta. Por quem? A mando de quem?

“Então... Originalmente, e isso talvez seja o motivo do filme com o Thomas Jane não ter funcionado de fato pra mim”, respondeu a mesma pessoa que gostou de Os Defensores, “Castle era um fuzileiro naval fodástico, um cara que resistiu aos horrores da guerra, mas que lá, no campo de batalha, descobriu seu lado negro, um cara que se sentia ‘à vontade’ matando (ainda que não desse pra dizer que se sentia BEM).”

“Ele voltou pra casa, família, muito amor, e aí eles tavam num picnic no Central Park, viram uma execução feita por uma gangue mafiosa. Todo mundo foi baleado pra não sobrarem testemunhas, incluído ele e sua família... Mas ele sobreviveu. Ou seja: a morte da família do Frank não tem rosto, não tem um mandante, não foi POR CAUSA DELE. E por isso a ‘missão’ do Justiceiro não é uma vingança contra ALGUÉM em particular, mas sim contra TODOS os criminosos que vê pela frente. Como alguém já disse nos gibis (não lembro bem quem), a morte da família Castle foi ‘efeito colateral'”.

No universo das séries do Netflix, esse também é o resumo do que fez Frank Castle ajudar o Demolidor a colocar Wilson Fisk na prisão e agora, na sua própria série, o que o faz terminar o trabalho iniciado em 2016. Só que, ao contrário dos quadrinhos, sua vingança agora tem uma cara. Ou pelo menos uma bandeira: os Estados Unidos da América.

É exatamente nesse ponto em que Justiceiro, que estreia nessa sexta (17), consegue ser tão brilhante quanto assustadora. Tão fundamental quanto desnecessária.

 

Colocando o Exército, a CIA, Homeland Security e “os valores americanos” como os vilões da história, Justiceiro não só transforma um psicopata em um personagem com o qual a gente se importa de alguma maneira (e como deveria ser nesse caso, mesmo) como lida de maneira bastante direta com alguns problemas que atingem em cheio a sociedade, especialmente a americana.

O primeiro, e mais claro, é o tal do transtorno de estresse pós-traumático, do qual praticamente todos os personagens, de uma maneira ou de outra, sofrem. Isso acaba humanizando essas pessoas, nos fazendo NO MÍNIMO sentir algum tipo de empatia por gente como Frank Castle ou Lewis Walcott (brilhantemente interpretado por Daniel Webber), um garoto de 26 anos que só consegue dormir em um bunker cavado dentro da própria casa, no meio do frio de Nova York.

Lewis, aliás, é o protagonista de uma história quase que paralela demais, sobre essa coisa do (des)armamento, que talvez saia como um TIRO PELA CULATRA, especialmente por não ser exatamente muito clara no que quer dizer e porque, bom, a abertura da série é toda baseada em armas que, no fim, formam a caveira-símbolo do personagem. AINDA ASSIM, é interessante, amedrontador de ver o que essas duas coisas podem fazer, quando juntas, e revoltante quando a gente enxerga os motivos pelos quais isso acontece.

AS SEMELHANÇAS NÃO SÃO APENAS COINCIDÊNCIA.

Assim como Jessica Jones, que é uma série sobre abuso antes de ser uma série “de super-herói”, Justiceiro é, bem à margem do que podemos chamar de MCU, quase totalmente independente, uma série sobre tudo o que a guerra pode causar num ser humano e como ele lida com isso. É necessária uma boa dose de empatia para entender o que as duas querem passar e, no caso de Justiceiro, pra não reclamar que o cara não sai matando todo mundo só porque fez algo ruim e que alguns episódios podem parecer chatos. Eles são, no máximo, lentos. Contemplativos.

Demora, por exemplo, para que Frank Castle volte a ser o Justiceiro que conhecemos — com a caveira no peito e tudo mais.

O problema é que Justiceiro parece seguir a mesma fórmula das outras séries Marvel / Netflix quando o assunto é nos fazer perder o interesse em determinados momentos então há sim uma bela de uma barriga, que quebra completamente o ritmo da história. Nada como Luke Cage, por exemplo, que tem pelo menos cinco episódios a mais; mas um ou dois a menos, baseado em tudo o que vimos, teria deixado Justiceiro mais certinho. Isso e o roteiro que, nossa senhora, como se perde.

Às vezes tem muita história paralela, muitos personagens que aparecem, desaparecem e de repente voltam pra resolver alguma coisa. É um texto bastante mal amarrado no geral, que não justifica muitas coisas, mas que não chega a machucar a série, exatamente.

Até por isso, se coloca automaticamente entre as melhores de todas as séries e temporadas e é quase um alívio, depois de tudo o que vimos nos últimos anos, poder dizer que uma nova produção Netflix + Marvel é realmente boa.

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