Jovens cientistas de Porto Ferreira criam capacete que pede socorro por SMS em caso de acidente

Com intuito de usar tecnologia para salvar vidas, equipamento inteligente dos alunos da ETEC de Porto Ferreira (SP) avisa o local onde está o motociclista está.

Publicado em 12/11/2017 08:50:40 | Por: G1 São Carlos e Araraquara

Jovens cientistas de Porto Ferreira criam capacete que pede socorro por SMS em caso de acidente
Jovens cientistas da ETEC de Porto Ferreira e o professor Fábio Ruy criaram um capacete que avisa localização de motociclista acidentado (Foto: Arquivo pessoal)

Com a inspiração nos filmes do 'Homem de Ferro', os estudantes de Porto Ferreira (SP) Niel Antonio da Silva, Fábio André Rosa Junior e Guilherme Augusto Gaspar, todos de 17 anos, resolveram usar a tecnologia para salvar vidas e criaram um capacete inteligente, que possa auxiliar motociclistas em caso de acidentes.

Os jovens cientistas são estudantes da ETEC Prof. Jadyr Salles e criaram o sistema inteligente que detecta o impacto da queda do motociclista e envia uma mensagem de socorro com as coordenadas do acidente, facilitando dessa forma o resgate.

O capacete tem integração com o celular e, por meio de conexão bluetooth, consegue conversar com o telefone e mandar uma mensagem com o pedido de ajuda. Segundo Niel, o projeto tem o objetivo de melhorar e agilizar o primeiro atendimento.

“Eu estava na estrada, indo de Porto Ferreira para São Carlos, quando vi um acidente de moto e fiquei pensando como deveria demorar até as informações sobre o acidente chegarem aos órgãos de ajuda, principalmente em acidentes na pista. Às vezes, o acidentado não sabe em que rodovia está, ou pode estar ferido e não conseguir se comunicar”, contou.

Automatizado

Os alunos implantaram um dispositivo automatizado no capacete. Quando há um impacto, ele se comunica com um aplicativo no celular da vítima, que envia uma mensagem SMS para o telefone de alguém já previamente cadastrado com a localização do acidente.

A tecnologia é bem simples. Eles usaram placas de arduíno – muito utilizadas em projetos de automação –, com um módulo Bluetooth e um sensor de peso, adaptado para impacto. Para evitar falsos alertas, o capacete tem também um sensor de presença fazendo com que o dispositivo só funcione se estiver na cabeça de alguém.

O aplicativo foi desenvolvido no Android Studio, principal desenvolvedor da Google para Android, por isso só funciona por enquanto neste sistema de celulares. Com a ajuda da escola, os alunos estão pleiteando a patente provisória e vão procurar empresas para colocar o produto no mercado.

Jarvis

Mas os garotos são ambiciosos e não querem parar por aí. A ideia é implantar no capacete uma inteligência artificial e criar algo como o Jarvis, o computador que comandava a armadura de Tony Stark, no filme o 'Homem de Ferro'.

 
Capacete do Homem de Ferro foi inspiração para projeto de alunos da ETEC de Porto Ferreira (Foto: Divulgação)

Capacete do Homem de Ferro foi inspiração para projeto de alunos da ETEC de Porto Ferreira (Foto: Divulgação)

“Quando ocorrer o impacto, essa inteligência vai perguntar se ele está bem. Se ele responder que sim, não vai fazer nada, mas dali a alguns segundos o capacete vai perguntar novamente. Isso é importante porque ai casos de a pessoa passar mal algum tempo depois de se acidentar”, explicou Neil.

Outra melhoria que o capacete pode ter é uma interligação direta com os órgãos de emergência, resgate e hospitais e até mesmo com uma empresa terceirizada que pode estar conectada 24 horas no sistema do equipamento.

Estímulo

O projeto do capacete inteligente foi desenvolvido durante as aulas no curso técnico de Informática integrado ao Ensino Médio da Etec de Porto Ferreira e chegou a participar da 11ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), que reúne trabalhados de todas as Fatecs e Etecs do estado de São Paulo neste mês.

Estar no evento foi um incentivo a desenvolver rapidamente o projeto. Niel contou que sempre teve ideias, mas até entrar na ETEC as deixava guardada na mente, como sonhos. “Desde pequeno sempre tive ideias de novas tecnologias e na ETEC eu vi que era capaz de fazer”, disse.

O possibilidade de tornar as suas ideias realidade mudou totalmente os planos do estudante que pensava em ser militar. “Desde que eu entrei na ETEC, meu pensamento sobre minha carreira mudou totalmente. Eu conheci a informática e consegui desenvolver um bom pensamento de novas tecnologias”, disse.

O professor Fábio Ruy, que orientou a automação do capacete, disse que a realização de projetos é uma forma mais atraente de ensinar.

“Muitas vezes ele estuda sem perceber. Faz o ensino mais descontraído, mas divertido e também dá um incentivo ao aluno sobre como aplicar aquela tecnologia e não ficar apenas na teoria”, disse.

Skate elétrico

O estimulo é para que a tecnologia seja utilizada em soluções dos problemas do dia a dia. Pensando nisso, o estudante Caio Chanes Lessa, de 16 anos, do segundo módulo de mecatrônica da ETEC Sylvio de Mattos Carvalho, em Matão, criou um skate elétrico que anda a uma velocidade de até 20 km/h.

 
Caio, aluno da ETEC de Matão criou um skate elétrico para ir à escola (Foto: Arquivo pessoal)

Caio, aluno da ETEC de Matão criou um skate elétrico para ir à escola (Foto: Arquivo pessoal)

O skate, que também foi apresentado na 11ª Feteps, custou apenas R$ 50. As maioria das peças foi reutilizada de objetos que ele tinha em casa, o restante das estruturas metálicas ele conseguiu em um ferro velho.

Trabalhando apenas aos fins de semana, Caio demorou dois meses para concluir o skate. Ele montou toda a parte de eixos, o motor e as instalações elétricas e teve ajuda do pai apenas para fazer as soldas das peças.

A ideia era utilizar o skate para ir à escola, mas a insegurança das ruas e a baixa autonomia da bateria fizeram com que ele desistisse. Este não é o primeiro projeto de Caio que montou um kart elétrico, um triciclo e agora está fazendo uma impressora 3D.

Questionado se a ETEC tem ajudado seu lado cientista, ele discordou. “Cientista, cientista propriamente eu não sou, seria mais um gambiarreiro”, brincou.

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