Tecumseh do Brasil demite mais de 100 trabalhadores em São Carlos

A empresa, uma das maiores do setor metalúrgico de São Carlos e Região empregava cerca de 2.000 trabalhadores.

Publicado em 21/06/2020 11:09:58

Tecumseh do Brasil demite mais de 100 trabalhadores em São Carlos

Marco Rogério

A Tecumseh  do Brasil. produtora de compressores herméticos para refrigeração, demitiu hoje, quinta-feira, 18 de junho, mais de 100 trabalhadores. A companhia confirmou os cortes em uma nota oficial mas não confirmou os números exatos. O Sindicato dos trabalhadores confirma os cortes.  A empresa vive um processo de decadência desde 2005. Naquela época possuía 7.400 trabalhadores. Nestes 15 anos fechou 5.400 vagas.

A Tecumseh do Brasl é uma das maiores do setor metalúrgico de São Carlos e Região e que empregava cerca de 2.400 trabalhadores.

CAGED – Nos dois primeiros meses da crise, entre março e abril as demissões em São Carlos já somavam 1.800 em todos os setores, de acordo com o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e que mostra apenas os trabalhadores com registro em carteira profissional.

O empresário e ex-diretor regional do CIESP, Ubiraci Moreno Pires Corrêa, afirma que a atual crise, causada pela pandemia do novo coronavírus, vai causar a demissão de aproximadamente 8 mil trabalhadores em São Carlos nos próximos meses

e acordo com dados do IBGE, São Carlos tem uma População Economicamente Ativa (PEA) de 88.298 pessoas, com PIB per capita de R$ 42.568,73. Deste total, 35,9%, algo aproximado de 28 mil pessoas seriam trabalhadores do setor industrial, com salários médios de R$ 3.200,00.

Ubiraci, durante a crise de 2008 previu que o setor fabril de São Carlos iria eliminar cerca de 4.000 empregos, o que acabou acontecendo. “A crise será muito violenta. A paralisação das atividades econômicas no Estado de São Paulo faz parte de uma estratégia política-eleitoreira do atual governador, João Dória, para tentar desgastar o presidente Jair Bolsonaro e tomar seu lugar em 2022. Porém, com este ardil o que estão conseguindo é matar a economia paulista. Em São Carlos deveremos ter cerca de 8.000 dispensas somente na indústria no médio prazo.”

Para Ubiraci, mesmo as medidas tomadas pelo governo federal e implementadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, têm sido tímidas. “O crédito anunciado pelo BNDES não é repassado diretamente pelo banco de desenvolvimento ao empresário. Assim, os recursos passam primeiro pelo sistema bancário tradicional, o que aumenta muito os juros e encarece este dinheiro”, lamenta ele.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos  de São Carlos, Vanderlei Strano, afirma que o sindicato tem atuado de forma a proteger o emprego dos trabalhadores. O setor conta com cerca de 10 mil trabalhadores com média salarial de R$ 2.500,00 e inclui gigantes do setor, como Electrolux, Tecumseh e Volkswagen, entre outras.

“Infelizmente existe uma paralisia geral. Não existem pedidos, pois não há para quem vender nada com a quarentena. Os empresários reclamam que não estão tendo acesso ao crédito e que as medidas dos governos estadual e federal até agora não tem ajudado em nada o segmento”, explica Strano.

Para o economista Luis Fernando Paulillo, a crise atingirá São Carlos e cheio e poderá realmente provocar o maior desemprego da história, já que a economia está globalizada e a questão prioritária da saúde impede as soluções locais que eram utilizadas para se combater crises anteriores. “Nas crises anteriores São Carlos foi atingida mas houve soluções locais. Desta vez a crise é de longo prazo. A lógica não será se abrir o comércio e sair todo mundo comprando. O ritmo de demanda será outro, bem menor do que anteriormente devido a todo o cenário econômico e as incertezas”, explica. 

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